Lactaleite

Meta do programa, que conta com o apoio de 100 técnicos pelo Brasil, é aumentar em 30% o volume de leite produzido. Receptividade e vontade de crescer na atividade são essenciais para fazer parte do projeto.

Lactaleite amplia a produtividade dos tambos

O programa Lactaleite tem o objetivo de estimular pequenos e médios produtores a ampliarem a produtividade por meio de assistência técnica especializada. Com a participação de mais de 100 técnicos espalhados pelo Brasil, a ação busca elevar em 30% o volume captado nas propriedades em que é implantado.

Ao todo, são 2 mil tambos integrados ao Lactaleite pelo Brasil afora. Por meio de visitas, os veterinários e técnicos conhecem a realidade das famílias assistidas e propõem melhorias no sistema de manejo e gestão. Para participar do programa, o produtor precisa estar aberto à possibilidade de melhorar a produção e também disposto a abrir seus indicadores para que seja possível identificar onde há expectativa de avançar.

Um passo de cada vez

29/11/18
Hèlio Fell e Denise Fell
Hèlio Fell e Denise Fell

A história dos produtores Hélio Fell e Denise Fell, de Estrela (RS), é um exemplo de amor ao campo e à atividade leiteira. Inspiração para muitos vizinhos do Vale do Taquari, a família ampliou o rebanho e a produtividade ao longo de três décadas de trabalho. Hoje, a Granja Fell entrega 5,3 mil litros de leite por dia à Lactalis. Tudo começou quando o casal aceitou assumir a propriedade que era dos pais de Denise. Na época, eram pouco mais de 20 vacas e o  trabalho todo manual.

Com vontade de crescer, investiram em tecnologia, genética e conhecimento. “Viemos crescendo aos poucos, planejando e recebendo assistência de técnicos e veterinários”, ressalta Fell, que tem ao seu lado a esposa, uma expert na contabilidade, e os dois filhos Rodrigo e Leandro. Hoje possuem 160 vacas da raça Holandês. O capricho na alimentação dos animais é um dos segredos para atingir uma média de 39 litros por vaca dia, sendo que a recordista, a vaca 390, bateu a casa dos 75 litros. Mas o escore da Granja Fell também se explica pela adoção recente de uma terceira ordenha diária, que elevou em 15% os resultados. A primeira ordenha começa 1h e vai até às 3h da manhã. Os trabalhos são retomados às 9h e o último ciclo produtivo ocorre às 17h.

A preocupação com a sanidade dos animais é uma constante. “O que não é [bom] pra gente tomar, eu não quero que os outros tomem”, afirma Fell. Há cinco anos, a família instalou equipamento digital com leitura de microchip para quantificar a produção individual de cada vaca. Os bretes dispõem de ventiladores, massageadores e, entre as metas, está a total climatização dos galpões. “Eu quero ver o robô funcionando aqui na propriedade”, revela.

Sombra e água fresca

29/11/18
Família Schmalz
Família Schmalz

O investimento em genética de ponta aliado à construção de estruturas que garantem conforto aos animais foi a aposta da família Schmalz, de Augusto Pestana (RS), para ver a produtividade média do tambo crescer de 23 para 31 litros por vaca/dia nos últimos cinco anos. O valor investido, explica o médico veterinário Rodrigo Schmalz, é expressivo mas dá resultado a cada nova geração de vacas. O jovem, que administra a propriedade ao lado dos pais Nelson e Marlize, espera dentro de, no máximo, 10 anos, ver a produtividade atingir a casa dos 36 litros e picos de 40 no inverno. “Conforto é essencial para aumentar a rentabilidade”, diz o filho único que escolheu ficar ao lado dos pais por acreditar no potencial da produção leiteira.

Na propriedade de 21 hectares onde tudo gira em torno da produção leiteira, há plantio de milho para silagem e tifton. Depois de anos operando com semi-confinamento, há cerca de três anos, os Schmalz implementaram o chamado compost barn, sistema que prevê a criação de gado em grandes galpões. Inicialmente, a estrutura abrigou apenas as vacas em lactação, oferecendo sombreamento, comida abundante e ventiladores para aliviar o estresse térmico.

A estrutura foi ampliada para acomodar as vacas secas, em pré-parto e até as terneiras. Assim, informa o criador, é possível garantir animais de 10 a 11 meses criados com melhor estrutura. “Produzir leite é um resultado que vem no detalhe, da criação da terneira até a genética e alimentação”, frisa o médico veterinário que foi buscar na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) o conhecimento necessário para dar suporte à experiência prática acumulada pelo pai. Hoje em dia, conta ele, está mais fácil antever os problemas na criação. Nas horas de folga, conta, ainda sobra tempo para ganhar um dinheiro extra prestando consultoria aos vizinhos.

A família entrega leite à Lactalis há mais de quatro anos e destaca a estabilidade de recebimentos dos valores o que, para Rodrigo Schmalz, é um diferencial importante frente aos altos custos de manutenção do tambo. Sobre os projetos para o futuro, os Schmalz querem mesmo é estar no campo. “Sonho ficar por aí”, diz Nelson que, em um segundo, teve a frase completada pela parceira de uma vida: “Temos que continuar”, resume Marlize.

Trabalho em família

29/11/18
Família Lovatel
Família Lovatel

Foi dividindo tarefas e unindo forças que Adelir e Neusa Lovatel, do município de Ouro (SC), transformaram a produção leiteira em um projeto lucrativo e capaz de arcar com o sustento de toda a família. Com a ajuda dos filhos Jonatan e Maicon e das noras, investiram em uma gestão eficiente da propriedade que hoje rende 1,2 mil litros em cerca de 30 hectares. Sucesso que veio com partilha de responsabilidade, muito estudo e a supervisão da matriarca Deonilda Dorigon Lovatel, que ainda ajuda com os afazeres de casa.

Os avanços em qualidade que hoje destacam a propriedade localizada no Meio Oeste catarinense ganharam corpo há cerca de 20 anos, quando os Lovatel adquiriram um lote de vacas da raça Holandês vindo do Uruguai. Era hora de investir em produtividade e uniformizar o rebanho. Um caminho que também exigiu aplicação em novas estruturas, sistemas produtivos e adoção de um programa de acasalamento.

À frente da atividade leiteira da propriedade, Jonatan Lovatel conta que, quando a família resolveu construir o primeiro free stall de madeira para melhorar a condição das vacas em lactação no final dos anos 90, muitos acharam que tudo não passava de uma grande loucura. “Na época, o leite valia 20 centavos o litro, e as pessoas diziam: vocês vão se perder nas dívidas”, conta o produtor.

Mas os Lovatel provaram que a vizinhança estava errada. Jonatan foi para a universidade, chegou a trabalhar na gestão de um projeto hoteleiro, mas foi em casa que conseguiu aplicar os ensinamentos obtidos no curso de Administração de Empresas. Caminho também trilhado pelo irmão Maicon, que se formou em técnico em Gestão e hoje gerencia a criação de 2 mil suínos que dá à família receita extra para financiar novos investimentos na propriedade. Em um sistema consorciado, o esterco dos porcos ajuda a adubar as pastagens que crescem para alimentar o gado leiteiro. Atualmente, os Lovatel trabalham com as vacas divididas em dois lotes: um com animais em confinamento no free stall, outro com gado em pastagem em um modelo semiconfinado. “Ter genética e não ter comida não adianta. Tem que ter as duas coisas juntas”, recomenda Jonatan. Segundo ele, o apoio recebido da Lactalis por meio do técnico Gilson Luis Gerlach é essencial para garantir uma dieta balanceada às vacas e ganho no bolso. “O leite foi o que nos proporcionou tudo o que temos. O segredo do sucesso na agricultura familiar depende de toda a família. Se a família não vai bem, a propriedade não vai bem”, garante ele, convicto de que uma boa conversa vale mais que muitos reais no bolso.